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terça-feira, 15 de julho de 2008

Uma pequena história...

Às portas do dia "E" (Manifestação de Enfermeiros no dia 10 de Julho), talvez o timing para vos contar este episódio - que me foi relatado na primeira pessoa - não seja o mais adequado. Mesmo assim, partilho-o convosco, pois acho que todos devem ter conhecimento do que se passa com os colegas por este país fora...

Sucintamente:

Uma colega nossa, que colaborava com um Lar de Idosos há quase 15 anos, em regime de acumulação, recebeu uma proposta inesperada vinda do imaginativo Conselho de Administração (CA) da respectiva instituição: reduzir o seu salário/hora em 60%.

Indignada, recusou peremptoriamente invocando argumentos lógicos e sensatos - a dedicação, a competência, a experiência, o conhecimento, etc...
Inflexível, o CA recusou.
Inadmissivelmente, era uma proposta economicista. A colega recebia um valor muito acima da média do mercado, e trabalhava duas horas, diariamente, seis dias por semana e contactável 24 horas por dia.
Revoltada, abandonou a sua dedicação dos últimos 15 anos.

O médico da instituição - que comparece na instituição apenas duas horas por semana e que tem um salário fixo de 800 euros/mês - lançou logo a sua ofensiva e tentou colocar umas quantas "cunhas" de paizinhos cujos filhos não tinham part-times e foram, à noite, bater à porta do sr. doutor para lhe pedir o "favor" de lá colocar o "menino" ou a "menina".
Ao médico foi recusado qualquer tipo de intromissão na escolha do novo Enfermeiro, pois o CA pensou em contratar alguém a tempo inteiro, 40 horas por semana. E assim fez. Não foi difícil, os currículos apresentavam-se aos montes. Mais fácil ainda foi negociar o salário: 600 euros/mês - a recibos verdes - e poderia lá almoçar, se assim o desejasse.

A Enfermeira que tinha "batido com a porta", auferia um salário consideravelmente superior só com as suas 12 horas por semana.
E assim foi. Já se passaram 4 meses e já é o quinto (5º) Enfermeiro que por lá passa. A razão tem barbas. Logo que recebem uma proposta de um Hospital/Centro de Saúde, fazem as malas e esvoaçam a uma velocidade alucinante.
Além disso, todos afirmaram "que trabalhando apenas no lar não se aprende nada nem há estímulo", e o sentimento era comum: "parecia que estava a ficar estúpido" (atenção, as palavras não são minhas!)...
A taxa de internamentos aumentou a pique. A taxa de falecimentos também. As depressões proliferam entre os idosos. As conspirações entre os diversos profissionais igualmente e ao mesmo ritmo.

Tenho pena da pobreza de espírito, da falta de visão e compreensão de tal CA.
Tinham um óptimo elemento que, literalmente, geria a instituição no que respeita ao âmbito da saúde.
Os novos colegas, humilhados e explorados, abandonam sucessivamente a instituição invocando desmotivação, falta de auto-realização, desinteresse e salário incompatível com a função.

Como sabem, não sou contra as acumulações, pelo contrário. Circunstancialmente são favoráveis aos Enfermeiros e aos utentes. Muito do prestígio dos Enfermeiros granjeou à custa de acumulações que conferiam experiência, valor e reconhecimento.
Quem não conhece o Sr. Enf "X" que exerce ali e é formador acolá? Ou o Enf. "Y" que é especialista aqui, dá aulas acolá e coordena isto?
Tudo isto resulta do esforço da dedicação, competência e conhecimento.

Certos exercícios profissionais a "tempo inteiro", ao contrário do que muitos afirmavam, não trouxeram mais poder reivindicativo, qualidade, poder económico ou visibilidade social.
Sou a favor da possibilidade da escolha de exclusividades para os Enfermeiros, deixando a força da opção à consideração de cada profissional.
Mais uma vez: assim não vamos lá. E pronto, assim vão os Enfermeiros e a Enfermagem..."

in:www.doutorenfermeiro.blogspot.com

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