A respeito do aumento de vagas no ensino superior nas mais variadas áreas, em particular no curso de direito, o Dr. Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, afirmou peremptoriamente que, Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, é.. 'autista'! (incrível é a contra-argumentação do Ministro Mariano Gago acerca do caso particular dos licenciados em Advocacia!)
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De facto alguma coisa vai mal... e mais uma vez o flagelo nasce da obsessão com os números.
Suportando o argumento da abertura de vagas na carência de licenciados relativamente a rácios de outros países (Portugal necessita de duplicar o actual número, para se situar no mesmo patamar!), lá vamos nós produzindo licenciados em série, com ou sem qualidade, o que interessa é debitar cá para fora!
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O caso particular da Enfermagem é paradigmático! Começa logo pela confusão de rácios e dotações. Para mim rácios padronizados não interessam rigorosamente nada! Extrapolar valores relativos de outras realidades (países diferentes) ainda pior...
Já uma boa parte dos Enfermeiros tem consciência (sensata) que os rácios de OCDE ou da OMS são contabilizados recorrendo à incorporação de outros profissionais (auxiliares e certos técnicos), resultando numa sobrestimação, que será, porventura, um agradável indicador político comparativo, mas pouca mais utilidade terá além disso!
A dotação sim, é um indicador dinâmico, circunstancial, multi-factorial, adaptado a cada contexto em particular, orientado na linha da optimização dos profissionais de Enfermagem!
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Mais uma vez o número de vagas para o curso de Enfermagem aumentou! Isto revela uma falta de planeamento exasperante! Isto pretende alimentar a negociata do ensino, contribuir para indicadores políticos áridos e fragilizar a classe!
Os vários Bastonários insurgiram-se contra este autismo, assim como a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Apesar disto, quando ouço as palavras (e conhecendo-a como conheço), atentamente, que a Enf. Maria Augusta de Sousa profere, cheira-me tremendamente a demagogia, ou seja, parece que a nossa digníssima está a afirmar aquilo que os Enfermeiros querem ouvir e não o que ela acredita na verdade! Mas pronto, a senhora lá veio dizer umas coisas que ficam bem e que vão na linha da posição de todas as outras Ordens profissionais (os Médicos fizeram uma autêntica vergonha, muito perto da revolução)!
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A respeito da falta de Enfermeiros, há um autista crónico neste Âmbito - o SEP, incurável! Noutro dia, no Correio da Manhã li que o SEP, a respeito dos acidentes de trabalho na Enfermagem, 'acusa a falta de recursos como a causa das picadas e não a falta de cuidado' link. Eu, pessoalmente, poderia relacionar a má qualidade do papel higiénico em algumas instituições do SNS com a carência de Enfermeiros, mas não entro nessa arriscada indução estatística! É muito lamacenta e perigosa! O SEP é de outro mundo... mesmo sem capacidade negocial, devido a um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura, continua com esta postura!
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Ao invés de adequar os profissionais ao mercado, o SEP (e outros) querem forças o mercado a dobrar-se perante os profissionais. Tal como Sagan dizia, o caminho mais simples é sempre o mais adequado! O SEP faz lembrar aquele marchand de arte que não gostava de ver determinado quadro na parede de sua casa, então para remediar a situação... comprou uma casa nova! Ou então aquele físico que quando percebeu que a sua teoria estava errada, quis fazer crer que a natureza era deficiente!
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Portugal dificilmente absorverá mais licenciados em Enfermagem. Os vindouros penarão pelo desemprego, pelas borlas, ou pela subcontratação humilhante, desmotivante e sem perspectivas de progressão profissional e auto-realização! Em alternativa, terão de pedinchar, rastejando por um emprego mal-remunerado!
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Se o mercado está saturado, então o ensino já nem se fala! Hoje em dia estudar Enfermagem é uma aventura.
É possível cumprir estágios de pediatra em creches, infantários ou escolas, medicina em lares, cuidados intensivos em Centros de Saúde (leram bem!), psiquiatria em lares ou residências de idosos, etc!!
Se pensarmos então que os Enfermeiros experientes e habilitados para a orientação dos respectivos ensinos clínicos estão desmotivados e cansados, compreendemos então o porquê de, actualemente, grande parte dos orientadores/tutores serem recém-licenciados! E mesmo estes perseguem um 'papel para o currículo', nada mais!
Nem sequer me vou referir à qualidade dos corpos docentes das Escolas de Enfermagem (valerá a pena?)...
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Constato agora (impensável em tempos!) que podemos ter um licenciado em Enfermagem com um hat-trick enfermeiresco, ou seja, nunca puncionou, nunca intubou nem nunca introduziu uma sonda vesical. (A maior parte pouco sentiu o cheiro dos hospitais ou centros de saúde...)
São um indicadores reducionistas, meramente técnicos, mas terão o seu valor.
Por fim, devido à diminuição da selectividade, consequência do aumento de vagas, a própria qualidade e potencial dos alunos tece um decréscimo. Hoje em dia, é possível encontrar alunos no ensino superior com quem não nos entendemos. Porquê? Não sabem falar ou escrever português!
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De facto alguma coisa vai mal... e mais uma vez o flagelo nasce da obsessão com os números.
Suportando o argumento da abertura de vagas na carência de licenciados relativamente a rácios de outros países (Portugal necessita de duplicar o actual número, para se situar no mesmo patamar!), lá vamos nós produzindo licenciados em série, com ou sem qualidade, o que interessa é debitar cá para fora!
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O caso particular da Enfermagem é paradigmático! Começa logo pela confusão de rácios e dotações. Para mim rácios padronizados não interessam rigorosamente nada! Extrapolar valores relativos de outras realidades (países diferentes) ainda pior...
Já uma boa parte dos Enfermeiros tem consciência (sensata) que os rácios de OCDE ou da OMS são contabilizados recorrendo à incorporação de outros profissionais (auxiliares e certos técnicos), resultando numa sobrestimação, que será, porventura, um agradável indicador político comparativo, mas pouca mais utilidade terá além disso!
A dotação sim, é um indicador dinâmico, circunstancial, multi-factorial, adaptado a cada contexto em particular, orientado na linha da optimização dos profissionais de Enfermagem!
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Mais uma vez o número de vagas para o curso de Enfermagem aumentou! Isto revela uma falta de planeamento exasperante! Isto pretende alimentar a negociata do ensino, contribuir para indicadores políticos áridos e fragilizar a classe!
Os vários Bastonários insurgiram-se contra este autismo, assim como a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros. Apesar disto, quando ouço as palavras (e conhecendo-a como conheço), atentamente, que a Enf. Maria Augusta de Sousa profere, cheira-me tremendamente a demagogia, ou seja, parece que a nossa digníssima está a afirmar aquilo que os Enfermeiros querem ouvir e não o que ela acredita na verdade! Mas pronto, a senhora lá veio dizer umas coisas que ficam bem e que vão na linha da posição de todas as outras Ordens profissionais (os Médicos fizeram uma autêntica vergonha, muito perto da revolução)!
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A respeito da falta de Enfermeiros, há um autista crónico neste Âmbito - o SEP, incurável! Noutro dia, no Correio da Manhã li que o SEP, a respeito dos acidentes de trabalho na Enfermagem, 'acusa a falta de recursos como a causa das picadas e não a falta de cuidado' link. Eu, pessoalmente, poderia relacionar a má qualidade do papel higiénico em algumas instituições do SNS com a carência de Enfermeiros, mas não entro nessa arriscada indução estatística! É muito lamacenta e perigosa! O SEP é de outro mundo... mesmo sem capacidade negocial, devido a um forte desequilíbrio entre a oferta e a procura, continua com esta postura!
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Ao invés de adequar os profissionais ao mercado, o SEP (e outros) querem forças o mercado a dobrar-se perante os profissionais. Tal como Sagan dizia, o caminho mais simples é sempre o mais adequado! O SEP faz lembrar aquele marchand de arte que não gostava de ver determinado quadro na parede de sua casa, então para remediar a situação... comprou uma casa nova! Ou então aquele físico que quando percebeu que a sua teoria estava errada, quis fazer crer que a natureza era deficiente!
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Portugal dificilmente absorverá mais licenciados em Enfermagem. Os vindouros penarão pelo desemprego, pelas borlas, ou pela subcontratação humilhante, desmotivante e sem perspectivas de progressão profissional e auto-realização! Em alternativa, terão de pedinchar, rastejando por um emprego mal-remunerado!
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Se o mercado está saturado, então o ensino já nem se fala! Hoje em dia estudar Enfermagem é uma aventura.
É possível cumprir estágios de pediatra em creches, infantários ou escolas, medicina em lares, cuidados intensivos em Centros de Saúde (leram bem!), psiquiatria em lares ou residências de idosos, etc!!
Se pensarmos então que os Enfermeiros experientes e habilitados para a orientação dos respectivos ensinos clínicos estão desmotivados e cansados, compreendemos então o porquê de, actualemente, grande parte dos orientadores/tutores serem recém-licenciados! E mesmo estes perseguem um 'papel para o currículo', nada mais!
Nem sequer me vou referir à qualidade dos corpos docentes das Escolas de Enfermagem (valerá a pena?)...
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Constato agora (impensável em tempos!) que podemos ter um licenciado em Enfermagem com um hat-trick enfermeiresco, ou seja, nunca puncionou, nunca intubou nem nunca introduziu uma sonda vesical. (A maior parte pouco sentiu o cheiro dos hospitais ou centros de saúde...)
São um indicadores reducionistas, meramente técnicos, mas terão o seu valor.
Por fim, devido à diminuição da selectividade, consequência do aumento de vagas, a própria qualidade e potencial dos alunos tece um decréscimo. Hoje em dia, é possível encontrar alunos no ensino superior com quem não nos entendemos. Porquê? Não sabem falar ou escrever português!

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