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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O delírio dos TAE's!

O delírio dos TAE's!: "




Mais uma vez, os Técnicos de Ambulâncias (TAE) atacaram, raivosamente, os Enfermeiros. Emitiram publicamente um documento vergonhoso (anedoticamente pejado de erros ortográficos, semânticos e de sintaxe) intitulado “Esclarecimento sobre o conceito Técnico de Emergência Médica”.
Neste documento, além da maledicência e afronta relativa à classe de Enfermagem, recorrem a argumentos arcaicos que os atesta como ignorantes. Mas não é só: resolveram opinar - ofensivamente – acerca (contra a) da greve dos Enfermeiros do INEM. Conforme noticiou o jornal i, os TAE’s abriram, desta forma e definitivamente, um confronto com os Enfermeiros.
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Os TAE’s, um bando de bons rapazes, sonhadores, inexperientes, medíocres na língua portuguesa, quando assumiram a proposta para a criação dos referidos técnicos, fizeram-no de uma forma muito especial: copiaram quase integralmente (plágio) de modelos formativos e competenciais dos Enfermeiros.
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Agora, voltam a brilhar, ao recorrem, também, alguns cenários internacionais que apresentam a figura do “paramédico” na suas fileiras, numa tentativa grosseira de apresentar vantagens para a sua criação em Portugal. Mas, Portugal, neste âmbito e por vários motivos, ocupa uma posição com particulares muito peculiares.
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Acusam, igualmente, a criação das ambulâncias SIV (ambulância tripulada com Enfermeiro) de não ser mais do que uma solução 'que apenas vingou pelo timming político disponível para a implementação de uma medida no contexto da requalificação da rede de urgências hospitalares, não permitindo melhor solução em qualidade, segurança e sustentabilidade'.
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Além de tudo isto, ao longo de 4 partes do referido documento, dedicadas exclusivamente à afronta à Enfermagem (referindo entre outras coisas que os “paramédicos” são preferíveis aos Enfermeiros e que a classe de Enfermagem quer ”é solucionar a elevada taxa de desemprego”), apelam, inclusivamente, de forma muito clara, à expulsão dos Enfermeiros do Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU’s) e reiteram, despudoradamente, que os Enfermeiros não têm formação para pré-hospitalar: 'não faz sentido, exigir a alguém que apenas pretendem exercer emergência pré-hospitalar tenham que obter uma licenciatura numa área sem aplicação direcção no seu propósito, que padece de formação específica.')
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Comecemos pelo princípio. A criação, a nível internacional, de técnicos dirigidos à emergência pré-hospitalar, remonta há uns anos atrás, num cenário de escassez de Enfermeiros a nível mundial. A carência de pessoal de Enfermagem era tão acentuada, que não havia possibilidade munir ambulâncias e outros veículos de socorro de Enfermeiros. Foi, objectivamente, fruto de uma decisão política, demagógica (encobrir carências) e barata, que se planeou, de forma não estratégica e temporária, o recrutamento de leigos, dotando-os de alguma formação específica, para que, sem embaraços políticos, os pretendidos sistemas de emergência vissem a luz do dia.
A carência de Enfermeiros manteve-se e a temporalidade da medida foi-se arrastando, assentando as redes de emergência pré-hospitalar em estacas sem sustentabilidade, mas agradáveis devido a baixo custo aparente. Uma pura ilusão quando pesado na balança do custo-benefício: são muito mais caros!
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Logicamente, vários países, após o incremento do número de profissionais de Enfermagem, reorientaram as soluções do passado e, devido ao aumento da complexidade dos cuidados pré-hospitalares, começaram a atrair Enfermeiros para o sistema, tornando-os parte definitiva de uma solução remendada durante anos e anos. Apenas isto. Nenhuma nação deste planeta, tendo à sua disposição recursos de Enfermagem suficientes, optou pela criação de paramédicos. Nenhuma.
Um dos exemplos aludido no referido documento, são a Noruega e a Suécia. Ambos, há uns anos atrás, se situavam no paradigma assente na figura dos paramédicos.
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A Noruega, elabora neste momentos propostas para a Enfermagem na emergência pré-hospitalar.
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Na Dinamarca (permitam-se acrescentar este exemplo) também foi levada a cabo uma viragem (2001) digna de nota: de quase inexistentes, os Enfermeiros passaram a ter um papel fundamental no sistema de emergência.
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A Suécia é um dos meus exemplos favoritos, que contraria a fantasia de alguns TAE's. Tomemo-lo como referência para explicar a tendência mundial (que é precisamente o inverso do que afirmar, falaciosamente, os TAE's). O que aconteceu então na Suécia? Simples. O pré-hospitalar amadureceu na década de 60, sem Enfermeiros. Atravessavam-se tempos de elevada escassez de mão-de-obra de Enfermagem (serviços hospitalares fechavam com falta de profissionais de Enfermagem!), pelo que, para fazer avançar o projecto, arriscou-se tudo em termos político-sociais: admitiram-se leigos (havia sapateiros entre eles") que, com uma formação básica de 3 semanas, iniciaram o socorro sueco.
O tempo de formação foi aumentando e, em 1980, era de cerca de 20 semanas. A insuficiência de Enfermeiros perdurava, e o governo sueco tomou por vantajoso a colocação de 'assistentes de Enfermagem' (uma espécie de auxiliares) a tripular ambulâncias.
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Na década de 90, surgiu a hipotese (desde de logo aproveitada) de dispôr de Enfermeiros nas aumbulâncias. Todo o funcionamento da rede melhorou.
Em 1998 foi o ano da reviravolta. Uma tese de doutoramento apresentada na Universidade de Gotemburgo (por Björn-Ove Suserud), intitulada "The role oh the nurse in Swedish prehospital emergency care', foi peremptória na sua conclusão: 'Ambulance personnel were not considered to have a high enough competence level. Therefore, a need for more nurses, preferably anaesthesia or intensive care nurses, was expressed. (...) The progress and demands of quality improvement measures within prehospital emergency care have increased the need of a higher competence level of personnel. This has focused on nurses, and in particular, on emergency nurses."
Concluiu-se de forma sustentada e inequívoca que os Enfermeiros são uma vantagem no pré-hospitalar!
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A partir daí foi uma corrida contra o tempo. Em 1999 as primeiras directivas legais para a tripulação de ambulâncias de emergência por Enfermeiros e respectiva formação, começaram a ser delineadas. Todo o enquadramento legal foi publicado definitivamente em 2005 (após adaptação curricular para a especialidade), e a partir de 2007, todas as ambulâncias de emergência são tripuladas por Enfermeiro, coadjuvado por um técnico (muito semelhante à nossa SIV). Todos os restantes meios de socorro (Medical Teams, helicopteros, etc), são, à semelhança, tripulados por Enfermeiros.
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Na Holanda, por exemplo, todo o pré-hospitalar assenta quase exclusivamente nos Enfermeiros (mesma as centrais de atendimento e reencaminhamento - o equivalente aos nosso CODU's). Este facto fez com que a Holanda se assumisse como uma referências mundial.
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Outro exemplo clássico usado por técnicos de emergência, reporta-se a Israel. O sistema é bom e não dispõe de Enfermeiros (este caso já foi discutido por técnicos de emergência - até à exaustão - um pouco por todo o mundo, numa tentativa de viabilizar os seus argumentos). Porquê? Primeiro importa esclarecer o seguinte: para contornar a impossibilidade de ter Enfermeiros no pré-hospitalar, o curso que visa qualificar os tais paramédicos vai sendo progressivamente colocado de lado. A opção é ministrar um bacharelato em medicina de emergência, em faculdades de medicina, o que tem incrementado os custos. Não são paramédicos portanto, são antes uns médicos-bachareis.
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Mas isto não reponde à questão: porque é que não há Enfermeiros (existem, mas são muito raros) nas ruas de Israel?: a resposta é evidente (ainda que muitos não a queiram ver). É devido a um factor cultural: a classe de Enfermagem israelita é, à semelhança do padrão mundial, predominantemente constituída por mulheres. Deste modo, não podem marcar presença nos meios de socorro, pois contraria as rígidas leis religiosas. Apenas isto.
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Outros países, onde a figura do paramédico ainda é dominante, vão lentamente orientando a médio/longo prazo as suas estratégias, que - indubitavelmente - passam pela presença dos Enfermeiros no pré-hospitalar (como o Reino Unido, por exemplo), como aliás já se verifica em regime de turnover!
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Nos Estados Unidos da América, que para muitos ostenta o modelo de paramédico a seguir, a conjuntura tem-se modificado ao longo dos anos. Os Enfermeiros têm conquistado muito espaço nos meios mais diferenciados. Aliás, por terras americanas, ser paramédico é um part-time, uma forma de obter dinheiro para pagar estudos universitários ou um patamar para uma candidatura posterior a medicina ou Enfermagem (recorrendo a contigentes concursais específicos para o efeito).
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Mais esclarecedor ainda, algumas organizações de paramédicos, reivindicam agora a inclusão dos 'EMT-Paramedic' na Enfermagem! Ou seja, pretendem que a sua profissão seja considerada uma especialidade em Enfermagem!
Após anos e anos de controvérsia, o país que, através da indústria cinematográfica, de forma muito fantasista, transportou esta figura pelo mundo fora, através de telas de cinema e ecrãs de televisão, pedem para ser considerados Enfermeiros! Logicamente, esta posição (um editorial de uma das revistas mais famosas do sector) feriu o orgulho de muitos destes profissionais, num misto de vergonha e indignação! Em suma, os heróis das ambulâncias das terras do Tio Sam querem ser reconhecidos como... Enfermeiros!
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Um argumento, já barbado, que teimam em usar (não só em Portugal), é fazer crer que os Enfermeiros são uma classe inerente ao ambiente intra-hospitalar. Mais uma estupidez: ora, a classe do SNS que mais propala os cuidados de proximidade são precisamente os Enfermeiros. São os Enfermeiros que fazem domicílios, que se deslocam ao ambiente extra-hospitalar, que vão ao terreno, que intervêm nas escolas, nos bairros degradados, nas aldeias longínquas, em lares infestados de pobreza, etc.
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Mas estes TAE manhosos, gostam também de focar outra questão que gostam de aliar à que acabo que acabo de mencionar: a formação dos Enfermeiros. A Enfermagem é severamente atacada por não possuir um currículo direccionado para o pré-hospilatar.
Ora a licenciatura é uma formação-base que visa fornecer os conhecimentos essenciais para o início do exercício profissionais (a formação contínua é obrigatória!), sendo por por isso generalista.
É óbvio que será necessário formação complementar para o exercício da emergência pré-hospilatar! Uma especialidade nesta área será bem-vinda. Mas é verdade que tudo o que acabei de referir, e que, usualmente, os TAE gostam de enfatizar, também se aplica aos médicos (além formação inadequada no curso-base, não possuem um componente extra-hospitalar tão vincada quanto os Enfermeiros), mas, estranhamentem, não sãoa atacdos pelos TAE's, mesmo quando os motivos são semelhantes! Ora, isto diz-nos muito.
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Relativamente a outras matérias (CODU's, SIV's, etc) poder-se-à dizer que os TAE's demonstram nas suas atitudes e comportamentos, um complexo de inferioridade e inveja, pois apontam armas à coordenação e salários auferidos pelos Enfermeiros (chegam ao cúmulo de arremessar a este nível!), numa postura de implementação do downgrading, ou seja a "papalvice" e regressão do sistema: substituir pessoal diferenciado por outros menos diferenciados.
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Para finalizar dou-lhes (aos TAE's) duas novidades (que parecem desconhecer): a partir de agora os Enfermeiros das VMER, já podem acompanhar os utentes na ambulância aquando do regresso ao Hospital (fazem menção a este problema como um incumprimento do REPE!), pois a questão que envolvia a apólice da seguradora encontra-se resolvido! Acrescento também que, tal como se afirma num dos documentos deste senhores, a actividade das ambulâncias SIV's (com Enfermeiro) têm uma expressão mais reduzida (este assunto reporta-se à greve dos Enfermeiros da SIV's) do que as SBV (tripuladas por dois TAE's). No entanto, nesta questão a comparação não pode ser balanceada com rercurso a este tipo de analogias e números, pois estamos a comparar meios diferentes: a SIV é substancialmente bem mais diferenciada a do que as SBV, logo, o reflexo da sua inoperacionalidade junto das população reveste-se de outra dimensão, inalcansável às SBV, que, com transportes, doentes sem gravidade, etc, são - sem surpresa - o grosso da actividade assistencial básica!
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Por outro lado, em Portugal existe uma Ordem dos Enfermeiros, que regula a profissão de Enfermagem. A Ordem dos Médicos, ao contrário do que querem fazer crer, não regula matérias de Enfermagem, nem tão pouco é uma 'autoridade' que atribui, formalmente, competências a alguém. Tal função é executada pela tutela. Basta pensar no Crown report, que atribuiu aos Enfermeiros competências acrescidas (descritas e apoiadas pelo International Council of Nurses) em Inglaterra: os médicos não queriam, espernearam, gritaram, pediram socorro a tribunais e outras organizações, mas não houve escolha: os Enfermeiros, serenamente e em prol da qualidade dos cuidados, viram o scope of practice ampliado!
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