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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

DOENÇA CELÍACA | Enteropatia por glúten

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DOENÇA CELÍACA | Enteropatia por glúten: A doença celíaca, também conhecida por enteropatia sensível ao glúten, é uma doença do intestino delgado caracterizada pela intolerância ao glúten, uma proteína presente em diversos alimentos, como trigo, aveia e cevada.



Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a doença celíaca:

  • O que é o glúten.
  • O que é a doença celíaca.
  • Fatores de risco para doença celíaca.
  • Sintomas da doença celíaca.
  • Diagnóstico da doença celíaca.
  • Tratamento da doença celíaca.
  • Alimentos sem glúten.

O que é glúten?



O glúten é uma proteína presente em vários cereais, principalmente trigo, aveia, centeio, malte, triticale, espelta, kamut ou cevada. Isso significa que uma enormidade de alimentos feitos à base destes produtos contém glúten na sua fórmula, incluindo cereais, pães, massas, pizzas, bolos, doces, biscoitos, salgadinhos, barra de cerais, empanados, waffles, sopas, croutons, batata frita industrializada, cerveja, uísque e vodca destilada de grãos.



Você já deve ter notado que um grande variedade de alimentos apresenta na sua embalagem o aviso "contém glúten". Este aviso é voltado para pacientes portadores da doença celíaca, que, como veremos a seguir, não podem consumir qualquer alimento que contenha glúten.

O que é a doença celíaca



A doença celíaca é uma doença de origem imunológica e se caracteriza pela ocorrência de uma intensa reação inflamatória no intestino delgado toda vez que este é exposto a alimentos que contenham glúten. Em alguns casos, a inflamação pode ser tão severa, que destrói as vilosidades da mucosa do intestino delgado, que são responsáveis pela absorção de boa parte dos nutrientes. O resultado deste processo de inflamação e lesão da mucosa intestinal é uma síndrome de má absorção intestinal (explicarei melhor esta síndrome mais à frente).

Não contém glúten


A doença celíaca é uma patologia de origem autoimune, sendo uma doença diferente da alergia ao glúten. O mecanismo imunológico da doença celíaca é distinto, assim como o quadro clínico. (leia: DOENÇA AUTOIMUNE e ALERGIA ALIMENTAR | Alergia à comida).



A doença celíaca é uma doença relativamente comum e pode acometer qualquer pessoa, porém é mais frequente em caucasianos (brancos) descendentes de europeus do norte. Na Europa e nos EUA cerca de 1 a cada 150 pessoas tem doença celíaca. Nos países nórdicos, esta taxa chega a ser de 1 para cada 90 pessoas. No mundo inteiro, cerca de 25 milhões de pessoas sofrem com esta doença.



Antes considerada uma doença pediátrica, hoje sabemos que a enteropatia por glúten pode surgir em qualquer idade. 60% dos casos ocorrem em adultos, sendo 20% em pacientes com mais de 60 anos. Nas crianças, em geral, a doença se torna aparente quando estes ainda são bebês, logo após as primeiras exposições à dieta com glúten.



A maior parte dos pacientes com doença celíaca apresenta uma forma branda da doença, com poucos ou nenhum sintomas, fazendo com que os mesmo passem anos ser nem sequer suspeitar que possuem qualquer problema. Estima-se que para cada paciente com sintomas típicos de doença celíaca haja outros 7 com doença celíaca silenciosa ou oligossintomática (com sintomas discretos). Portanto, apesar dos avanços nos métodos diagnósticos, a real prevalência da doença celíaca pode ainda estar subestimada.

Fatores de risco para doença celíaca



A enteropatia por glúten tem um forte componente hereditário. Cerca de 10% dos parentes de primeiro grau de um paciente com doença celíaca também são portadores da doença.



Novas evidências indicam que o tempo e o modo da primeira exposição ao glúten podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença celíaca. Estudos observacionais sugerem que o risco para a enteropatia por glúten pode ser reduzido pela introdução gradual do glúten na dieta do bebê, de preferência após o sexto mês de vida e enquanto a criança ainda está sob aleitamento materno.



A doença celíaca pode ocorrer em qualquer pessoa, mas indivíduos com algumas doenças autoimunes apresentam um risco maior que a população em geral. São elas:



- Diabetes mellitus tipo 1 (leia: O QUE É DIABETES?).

- Tireoidite de Hashimoto (leia: HIPOTIREOIDISMO | Tireoidite de Hashimoto).

- Doença de Graves (leia: HIPERTIREOIDISMO | Sintomas e tratamento).

- Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO | Sintomas e tratamento).

- Doença de Addison.

- Hepatite autoimune (leia: O QUE É HEPATITE?).

- Artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE | Sintomas e tratamento).

- Síndrome de Sjögren.

- Síndrome de Raynaud.

- Alopecia Areata.

- Esclerodermia.

- Esclerose múltipla (leia: O QUE É ESCLEROSE MÚLTIPLA).



Outras doenças sem origem autoimune também estão relacionadas a uma maior incidência de doença celíaca, como:



- Doenças do fígado (leia: 12 SINTOMAS DO FÍGADO).

- Fibromialgia (leia: O QUE É FIBROMIALGIA?).

- Síndrome da fadiga crônica (leia: SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA).

- Síndrome de Down.

Sintomas da doença celíaca



Os sintomas clássico da doença celíaca ocorrem devido à atrofia das vilosidades do intestino delgado, o que impede a absorção de diversos nutrientes, incluindo gorduras, proteínas e vitaminas. A falta de absorção de alimentos no intestino causa a chamada síndrome disabsortiva (ou síndrome de má absorção), caracterizada por diarreia (muitas vezes com gotas de gorduras nas fezes, chamada esteatorreia), flatulência, cólicas abdominais, emagrecimento e problemas causados por deficiência de vitaminas e nutrientes, como anemia por carência de ferro, ácido fólico e/ou vitamina B12, osteopenia (ossos fracos) por carência de vitamina D e cálcio, e sangramentos por deficiência de vitamina K. Nas crianças, se o diagnostico não for feito precocemente, é comum haver desnutrição e atraso no desenvolvimento e no crescimento.



Entre as manifestações não-gastrointestinais da doença celíaca, podemos citar:



- Dermatite herpetiforme (lesão de pele típica da enteropatia sensível ao glúten).

- Nefropatia por IgA (leia: DOENÇA DE BERGER | Nefropatia por IgA).

- Alterações do esmalte dentário.

- Artrites (leia: ARTRITE E ARTROSE).

- Atraso puberal.

- Alterações menstruais.

- Enxaqueca (leia: DOR DE CABEÇA | Enxaqueca e sinais de gravidade).

- Alterações neurológicas.

- Câimbras (leia: CÂIMBRAS | Causas e tratamento).

- Alterações do fígado.



O quadro clínico da doença celíaca varia muito de paciente para paciente. Alguns podem ter vários dos problemas citados acima enquanto outros apresentam uma forma atípica, com poucos ou nenhum sintomas de má aborção intestinal e brandos sintomas não-gastrointestinais. Há ainda também um grupo que não apresenta sintoma algum de doença, chamada doença celíaca silenciosa.



Os sintomas tendem a melhorar com a eliminação do glúten da dieta. Cerca de 70% das pessoas começam a se sentir melhor dentro de duas semanas após a retirada do glúten.

Diagnóstico da doença celíaca



A doença celíaca pode ser difícil de diagnosticar porque os sinais e sintomas são semelhantes a várias outras doenças que causam sintomas gastrointestinais e síndrome disabsortiva. Além disso, se o médico não estiver muito atento, a falta de sintomas gastrointestinais nas formas atípicas pode fazer com que o mesmo não pense na doença celíaca como diagnóstico diferencial, não solicitando, assim, os exames necessários para o seu diagnóstico.



Mais de 90% das pessoas com doença celíaca não tratada têm níveis elevados de alguns anticorpos no sangue, entre eles os anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase (anti-TTG), sendo este último o mais sensível para o diagnóstico.



Antes de realizar esses testes sanguíneos, é importante continuar a consumir uma dieta normal, incluindo os alimentos que contêm glúten. Pacientes que já não estão mais ingerindo glúten pode ter níveis baixos destes anticorpos, dificultado o diagnóstico.



Os níveis de anticorpos também servem para acompanhar a eficácia da dieta, devendo estes estarem baixos caso o paciente esteja mesmo evitando glúten.



Se o exame de sangue for positivo, o diagnóstico deve ser confirmado através da biópsia da mucosa intestinal, realizada durante uma endoscopia digestiva alta (leia: ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA). Mais uma vez, o paciente não deve estar fazendo dieta sem glúten para que as lesões típicas da doença celíaca estejam presentes.



Pacientes com anticorpos positivos e lesões de pele sugestivas de dermatite herpetiforme podem fazer o diagnóstico através da biópsia destas lesões, pois elas são a manifestação de pele da doença celíaca. Nestes casos, a biópsia intestinal pode não ser necessária.

Tratamento da doença celíaca



A doença celíaca não tem cura, mas pode ser controlada adequadamente. Em geral, não são necessários medicamentos. A base do tratamento é somente a eliminação completa do glúten da dieta. Manter uma dieta sem glúten é uma tarefa desafiadora que pode exigir importantes ajustes no estilo de vida do paciente. O glúten não só está presente em uma grande quantidade de alimentos habituais da dieta ocidental, mas também em alguns medicamentos e suplementos alimentares.



O auxílio de um nutricionista é imprescindível, pois muitos alimentos que supostamente não são feitos à base de cereais podem ter glúten escondido em sua composição, como sorvetes, iogurtes, chocolates, salsichas, salame, produtos marinados e outros.



Uma vez que o paciente tenha removido o glúten da sua dieta, a inflamação do intestino delgado começará a desaparecer dentro de algumas semanas, mas a melhora sintomática é mais rápida, ocorrendo em apenas alguns dias de dieta. A resolução completa do quadro e a recuperação das vilosidades do intestino pode levar vários meses, ou até anos, dependendo da gravidade. A melhora tende a ocorrer mais rapidamente em crianças do que em adultos.

Alimentos sem glúten



Apesar da grande quantidade de alimentos que contém glúten, as opções para uma dieta sem glúten também são imensas. Exemplos de alimentos que não contém glúten e podem ser consumidos por pacientes com doença celíaca:



- Frutas frescas, legumes, carne, frango, peixe, porco, maioria produtos lácteos, arroz, milho, soja, batata, mandioca, feijão, amaranto, fubá, farinhas sem glúten (arroz, soja, milho, batata, feijão), quinoa, tapioca e vinho.
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

TRATAMENTO PARA INFECÇÃO URINÁRIA

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TRATAMENTO PARA INFECÇÃO URINÁRIA: Infecção urinária é o nome dado à infecção de qualquer estrutura do trato urinário, incluindo uretra, bexiga, ureteres ou rins. Em mais de 95% dos pacientes a infecção é de origem bacteriana, sendo a bactéria Escherichia coli responsável por mais de 3/4 destes casos.



Não existe um tratamento único que sirva para todas as formas de infecção urinária. O medicamento mais indicado vai depender do agente causador, do sexo do paciente, do local do trato urinário acometido, da gravidade da doença e do estado clínico do paciente.



Neste artigo vamos abordar tratamento da cistite, incluindo as seguintes nas situações clínicas:

  • Tratamento da cistite em mulheres.
  • Tratamento da cistite em homens.
  • Tratamento da cistite em grávidas.
Para ler sobre a pielonefrite, infecção urinária que acomete os rins, acesse o link: INFECÇÃO URINÁRIA | Pielonefrite

Tratamento da cistite



Cistite é o nome dado à infecção da bexiga, sendo a forma mais simples e mais comum de infecção urinária. A cistite ocorre preferencialmente em mulheres, sendo incomum em homens saudáveis.



Vamos dividir a explicação do tratamento da cistite em 5 grupos:



a. Cistite não complicada em mulheres.

b. Cistite complicada em mulheres.

c. Cistite em grávidas.

d. Cistite em homens.

e. Urocultura positiva em pacientes sem sintomas.



Se você quiser saber mais informações sobre cistite, além do tratamento, leia: CISTITE | Sintomas e tratamento.

a. Cistite não complicada



A infecção da bexiga que ocorre em mulheres sem problemas de saúde é chamada de cistite não complicada. Este é o tipo mais comum de infecção urinária.



A imensa maioria dos casos de cistite não complicada é causada pela bactéria E.coli (leia: BACTÉRIA Escherichia coli | E.coli), mas outras bactérias, como o Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus saprophyticus também podem ser as causadoras. Portanto, o tratamento da cistite não complicada em mulheres deve sempre incluir um antibiótico que tenha ação contra estas bactérias, principalmente sobre a E.coli, responsável por mais de 80% dos casos.



A escolha do antibiótico é feita mais corretamente quando baseada nos resultados da urocultura, exame de urina usado para identificar qual é a bactéria que está causando a infecção. No resultado da urocultura, além da identificação da bactéria, o laboratório também fornece uma lista com os antibióticos que invitro se mostraram mais eficazes para combatê-la. Esta lista é chamada antibiograma. Portanto, quando o médico tem acesso ao resultado da urocultura, a escolha do antibiótico deve sempre se basear no antibiograma (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher).



Cabe ressaltar que na maioria das vezes a cistite é uma infecção simples e de fácil tratamento, não havendo necessidade de solicitar urocultura para todos os casos. O resultado da urocultura demora de 2 a 4 dias para ficar pronto, o que atrasaria em vários dias o início do tratamento e o alívio dos sintomas. Em geral, como os sintomas são muito típicos, na suspeita de cistite não complicada em mulheres, o médico está autorizado a começar antibióticos empiricamente, sem pedir qualquer exame.



Os remédios mais utilizados contra a cistite são os antibióticos que agem sobre as bactérias que habitualmente provocam infecção urinária, principalmente contra a bactéria E.coli. As melhores opções de tratamento empírico (sem orientação do antibiograma) incluem:



Tratamento da infecção urinária- Nitrofurantoína 100mg de 12/12 por 5 dias.

- Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim) 160/800 mg de 12/12 horas por 3 dias.

- Fosfomicina 3g em dose única.

- Levofloxacino 250mg a 500mg 1x por dia por 3 dias

- Ciprofloxacino 250 a 500mg de 12/12 horas por 3 dias.

- Norfloxacino 400mg de 12/12 horas por 3 dias.

- Amoxicilina-clavulanato 500mg de 12/12 horas por 5 a 7 dias (amoxicilina pura, sem ácido clavulânico não é muito eficaz para tratar cistite).



A escolha do melhor tratamento cabe ao médico, baseado no conhecimento do perfil de sensibilidade da E.coli em cada comunidade. Há locais, por exemplo, onde a taxa de resistência da E.coli ao Bactrim é sabidamente elevada, não sendo esta uma boa opção para tratamento empírico.



O Pyridium (Fenazopiridina) ou o Cystex não são antibióticos e, portanto, não servem para tratar infecção urinária. Estas drogas são somente analgésicos, servindo apenas para aliviar temporariamente os sintomas de ardência urinária, sem ter ação efetiva sobre as bactérias (leia: DOR AO URINAR | Principais causas).



ATENÇÃO: não use este texto para se automedicar. Indicar antibióticos é tarefa do médico. A escolha equivocada pode causar graves efeitos colaterais e criar bactérias resistentes.

b. Cistite complicada



Cistite complicada é a infecção da bexiga que ocorre em mulheres com algum problema de saúde que aumente o risco de falha no tratamento. São geralmente consideradas cistites complicadas aquelas que ocorrem em pacientes com:



- Diabetes (leia: O QUE É DIABETES?).

- História de pielonefrite aguda nos últimos 12 meses.

- Sintomas prolongados de infecção urinária.

- Infecção urinária por bactéria multirresistente.

- Infecção urinária adquirida em ambiente hospitalar.

- Insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA).

- Obstrução do trato urinário.

- Presença de cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL | Causas e sintomas).

- Presença de um cateter vesical, stent ureteral ou nefrostomia.

- Instrumentação ou cirurgias recentes do trato urinário.

- Anormalidade anatômica do trato urinário.

- Incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA).

- História de infecção do trato urinário na infância

- Transplante renal ou outras causas de imunossupressão.



Pacientes com cistite complicada devem sempre colher exames de urina, principalmente urocultura. Não é preciso esperar o resultado dos exames para começar o tratamento com antibióticos, mas ter um antibiograma e a bactéria causadora da infecção urinária identificada dentro de 2 ou 3 dias ajuda muito a decidir o próximo passo, caso o paciente não tenha melhorado nas primeiras 72 horas de tratamento empírico. Em geral, sugerimos ao paciente que ele vá ao laboratório fazer um exame de urina e logo depois inicie o tratamento com antibióticos.



As melhores opções de tratamento empírico (sem orientação do antibiograma) da cistite complicada incluem:



- Levofloxacina 500 a 750mg 1x por dia por 5 a 14 dias, dependendo da gravidade do caso.

- Ciprofloxacina 500mg de 12/12 horas por 5 a 14 dias, dependendo da gravidade do caso.



Se o paciente não apresentar sinais de melhora em 2 ou 3 dias, o antibiótico deve ser trocado de acordo com o antibiograma, que já deverá estar disponível nesta altura.



Nos casos de pacientes com cálculos renais ou obstruções do trato urinário, a remoção cirúrgica destes pode ser necessária para que o tratamento tenha sucesso. Do mesmo modo, pacientes com sonda vesical ou stent no ureter podem ter que trocá-los para conseguir se livrar da infecção urinária. A bactéria pode se alojar em qualquer uma destas estruturas e conseguir "se esconder " do antibiótico, sendo muito difícil sua eliminação apenas com remédios.

c. Cistite em grávidas



Aproximadamente 2% das mulheres grávidas apresentam pelo menos um episódio de cistite durante a gestação. O risco de ascensão das bactérias da bexiga em direção aos rins é maior nas mulheres grávidas, fazendo com que toda cistite neste grupo seja considerada uma cistite complicada. Além disso, a presença de bactérias na urina está associada a problemas na gravidez, como parto prematuro, baixo peso do feto e morte fetal.



Devido ao risco de má formações fetais, nem todos os antibióticos podem ser usados nas mulheres grávidas. Por isso, as gestantes merecem uma abordagem distinta das outras pacientes com cistite complicada.



Todas as gestantes com sintomas sugestivos de cistite devem colher urocultura e iniciar tratamento antibiótico empírico. As melhores opções são:



- Nitrofurantoína 100 mg de 12/12 horas por 5 dias.

- Cefpodoxima 100 mg de 12/12 horas por 3 a 7 dias.

- Amoxicilina-clavulanato 500 mg de 12/12 horas por 3 a 7 dias.

- Fosfomicina 3 g em dose única.

- Cefalexina 500 mg de 12/12 horas durante 3-7 dias.



O Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim) 160/800 mg de 12/12 horas por 3 dias é uma opção, mas apenas a partir do segundo trimestre, devendo este ser evitado nas primeiras 12 semanas de gravidez. Os antibióticos da família das quinolonas, como ciprofloxacino, norfloxacino e levofloxacino são contraindicados na gravidez.



Uma semana após o fim do tratamento, a urocultura deve ser repetida para se confirmar a eliminação da bactéria. Se a urocultura for novamente positiva para a mesma bactéria, o tratamento deve ser repetido, desta vez por mais tempo.



Por outro lado, se a urocultura confirmar a eliminação da bactéria, ela deve ser repetida todo mês até o final da gestação, para termos certeza de que não haverá novas infecções.



Para saber mais detalhes sobre infecção urinária na gravidez, leia: INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ

d. Cistite em homens



A cistite é um quadro muito menos comum em homens do que em mulheres, devido ao maior comprimento da uretra, ao ambiente periuretral menos úmido, à menor colonização de bactérias na região ao redor da uretra e à presença de substâncias antibacterianas no líquido prostático.



Habitualmente, as cistites em homens ocorrem naqueles com anormalidades do trato urinário, sejam más-formações em crianças pequenas ou doenças urológicas em pacientes idosos, como problemas da próstata. No entanto, cistites não complicadas podem ocorrer em um pequeno número de homens entre os 15 e os 50 anos de idade, sem nenhum problema de saúde.



Todos os homens com sintomas sugestivos de cistite devem colher urocultura e iniciar tratamento antibiótico empírico. As melhores opções são:



- Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim) 160/800 mg de 12/12 horas por no mínimo 7 dias.

- Levofloxacino 500mg 1x por dia por no mínimo 7 dias.

- Ciprofloxacino 500mg de 12/12 horas por no mínimo 7 dias.



Se após 48-72 horas não houver melhora, o tratamento deve ser ajustado de acordo com o resultado da urocultura e do antibiograma. Nestes casos, uma investigação para alterações na anatomia urológica deve ser avaliada



É preciso ter sempre em mente que sintomas de infecção urinária em homens não necessariamente indicam uma cistite, já que prostatite (leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento) e uretrite, como no caso da gonorreia (leia: GONORREIA | Sintomas e tratamento), podem ter sintomas muito parecidos.

Urocultura positiva em pacientes sem sintomas - bacteriúria assintomática.



Cistite é a inflamação da bexiga causada por bactérias. A simples presença de bactérias na urina, sem sinais de inflamação da bexiga não é considerada uma infecção, mas sim uma colonização. Uma analogia fácil de entender é com a pele. Ter bactérias presentes na pele é completamente diferente de ter uma infecção de pele. Portanto, a simples presença de bactérias na urina não é suficiente para o diagnóstico de uma infecção. Para ser cistite é preciso que o paciente tenha sintomas de uma bexiga inflamada, como dor para urinar, sangue na urina, vontade constante de urinar, mesmo com a bexiga vazia, etc.



Mesmo no caso da bactéria E.coli, há cepas menos virulentas, capazes de se proliferar na urina, mas sem força para causar inflamação da bexiga. Uma urocultura positiva, mesmo para E.coli, em um paciente sem nenhuma queixa, não deve ser valorizada na maioria dos casos. Na verdade, se o paciente não tem queixas urinárias, não faz sentido solicitar uma urocultura.



A presença de bactérias na urina sem sintomas é chamada bacteriúria assintomática e não deve ser tratada com antibióticos na grande maioria dos casos. As únicas exceções são as grávidas e os pacientes que irão ser submetidos a cirurgias urológicas. Nestes casos está indicada a realização de urocultura, mesmo sem sintomas, e o tratamento de acordo com o resultado do antibiograma. Em todos os outros casos, o tratamento da bacteriúria assintomática não apresenta benefícios e pode ainda estimular o desenvolvimento de bactérias resistentes.
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Universidade do Porto: os alunos mais bem preparados vêm das escolas públicas

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Universidade do Porto: os alunos mais bem preparados vêm das escolas públicas:
Edificio-Reitoria-Universidade-do-PortoUm estudo feito pela Universidade do Porto verificou que os alunos provenientes das escolas públicas revelam melhor desempenho durante o seu percurso académico. Assim, os autores do estudo chegaram à conclusão de que as escolas privadas conseguem preparar melhor os alunos para entrar na Universidade, mas, segundo o pró-reitor da Universidade do Porto “o que se verificou é que, passados três anos, estes alunos mostraram estar mais mal preparados para a universidade do que os que vieram da escola pública.”
Este estudo, baseado numa amostragem aparentemente significativa, é, em primeiro lugar, mais um elemento que deveria servir para chamar a atenção de todos aqueles que se limitam a uma análise simplista dos rankings: a qualidade de uma escola não se pode medir apenas com base nas notas dos exames.
Em segundo lugar, deve obrigar a reflectir sobre a real importância dos exames, nomeadamente no que respeita à possibilidade de que o peso excessivo dos mesmos exames acabe por perverter o processo de ensino, levando a que professores, pais e alunos se preocupem demasiado com um momento, desvalorizando o percurso. Se é certo que a esquerda tem demasiados tiques pavlovianos de rejeição dos exames, não é menos certo que os exames não são a receita milagrosa que Nuno Crato e os seus apaniguados defendem como a suprema panaceia de todos os males do ensino.
Finalmente, o pró-reitor volta a ter palavras judiciosamente críticas sobre um sistema de acesso à Universidade que se limita a premiar os alunos com capacidade para tirar boas notas, o que nem sempre é garantia de um bom desempenho no percurso académico.
Este estudo não tem de ser visto como uma vitória da escola pública sobre a privada e deve servir, sobretudo, para repensar muito do que deve ser melhorado na Educação. Apesar disso, não posso deixar de sorrir face ao silêncio de uma certa e determinada blogosfera sempre pronta a festejar os rankings e a apoucar as escolas estatais.

Tagged: colégios, escolas públicas, escolas privadas, exames, exames nacionais, rankings, universidade do porto
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Andamos a brincar com a tropa?

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Andamos a brincar com a tropa?:


Aí está. A Próxima Grande Ideia.

Uma câmara de infravermelhos que identifica a temperatura corporal e, através disso, identifica úlceras de pressão mesmo antes de ficarem visíveis a olho nu. Até aqui, tudo bem. Caíram-me os queixos. Fiquei espantado com tão boa ideia! Parabéns ao António Silva, aluno de engenharia da Universidade do Porto! Mesmo.

http://www.thenextbigidea.pt/ideias/episodio/termonitor

Basta verem o vídeo, rápido, acessível e que transmite uma boa possibilidade de negócio. Depois, ficamos a saber os factos: uma úlcera de pressão custa ao País 1500 euros por PESSOA e cerca de 200 a 300 MILHÕES DE EUROS POR ANO.

Sim. Um rombo autêntico. Uma bestialidade. Maior que esta, só mesmo o profissional de saúde que fala sobre a problemática em causa: outro aluno, desta vez de medicina da Universidade do Porto. MAS PORQUÊ?

Os mais distraídos poderão dizer... "ah ele é médico, faz parte das funções dele". Não faz não.
"ah as faculdades estão próximas umas das outras e eles tiveram a ideia" Pois está bem....

A Bestialidade é mesmo ser um médico a vir falar de uma área que é da exclusiva competência de outro grupo profissional na saúde: os enfermeiros. O QUÊ? ALGUM DIA? COMO É POSSÍVEL.

É possíve, todos os dias, comprovar que:

São enfermeiros os que todos os dias trabalham no seu espectro de acção, autónomo, na prevenção de úlceras de pressão.

São enfermeiros aqueles que fazem os pensos e cicatrizam as ditas feridas, havendo prescrição médica em apenas 5% dos casos.

São enfermeiros que escolhem os materiais para as instituições, no sentido de prevenir as ditas úlceras (colchões, assentos de silicone, camas articuladas, materail de pensos e afins).

São os enfermeiros que avaliam as condições (ou falta delas) que os utentes têm no domicilio para poder tratar aquela úlcera.

São os enfermeiros que despistam complicações resultantes destas feridas (especialmente quando se tornam crónicas).

Por último, têm sido os enfermeiros a desenvolver o grosso de pesquisa científica, rigorosa, detalhada e altamente generalizada em todos os locais de trabalho, que permitem evidentes ganhos em saúde e poupança monetária. São eles que, em última instância, constroem e validam escalas que avaliam o risco de desenvolver úlceras de pressão.

A Escala de Braden foi desenvolvida por Bárbara Braden e Nancy Bergstrom (http://www.bradenscale.com/about%20us.htm) e ajuda milhões de enfermeiros e outros profissionais de saúde a identificar o risco de desenvolver úlceras e reflectir sobre que medidas devem ser tomadas em função do risco diagnosticado. AS DUAS AUTORAS SÃO ENFERMEIRAS.



Não venham, por isso, colocar médicos a recolher os louros pelo trabalho de enfermeiros. Senhoras e senhores, somos NÓS ENFERMEIROS que ajudamos a diminuir o fardo dos 300 M€ ANUAIS. Somos NÓS que identificamos o risco e atuamos de imediato. E quem diz aqui, nas úlceras de pressão, diz em muitos outros aspectos da sua saúde!!!

Não são só 300 M€, o trabalho dos ENFERMEIROS POUPA AO SNS MILHARES DE MILHÕES DE EUROS!

Só falta dizer uma coisa: onde estavam os enfermeiros na hora de desenvolver este projecto? E onde estavam quando fizeram o vídeo? Ok... Não estavam? Não sabiam? É sinal que precisamos de trilhar o caminho da inovação, negócio e empreendedorismo.

MAS ONDE ESTÃO OS ENFERMEIROS DEPOIS DESTE VÍDEO TER SAÍDO? ESTAMOS à ESPERA DO QUÊ????
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domingo, 20 de janeiro de 2013

Damn you osmosis!

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Damn you osmosis!:

Submitted by: dvelghe

Posted at: 2013-01-19 11:16:33

See full post and comment: http://9gag.com/gag/6370211

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164 especialistas? Puf!…

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164 especialistas? Puf!…:
O Tribunal de Contas advertiu o Governo para o facto de ter recrutado 164 especialistas que são pagos a peso de ouro.
Segundo o TC, três desses especialistas ganham entre 4615 e 5775 euros e os restantes recebem entre 3069 e 3892 e parece que também têm direito aos subsídios de natal e de férias, ao contrário dos restantes funcionários públicos.
O TC está ainda mais intrigado pelo facto de 15% desses 164 especialistas terem idades entre os 25 e os 29 anos, o que leva a supor que, para serem especialistas, devem ter terminado o curso aos 15 ou 16 anos.
O Tribunal de Contas está a ser injusto.
Com tanta merda que tem feito, 164 especialistas até são poucos para ajudar este governo!…
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Autoridades recomendam suicídio para assegurar sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde

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Autoridades recomendam suicídio para assegurar sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde: Depois de o secretário de Estado da Saúde ter referido a prevenção da doença como dever de todos os cidadãos para evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde e...
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ESCABIOSE | Sarna humana

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ESCABIOSE | Sarna humana: A escabiose, conhecida popularmente por sarna ou pereba, é uma doença de pele causada por um ácaro chamado Sarcoptes scabiei. A sarna é uma infecção contagiosa, que pode se espalhar rapidamente através de contato físico próximo, como ocorre entre pessoas quem moram na mesma casa ou crianças em creches.



Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a escabiose:

  • Ácaro - Sarcoptes scabiei.
  • Transmissão da escabiose.
  • Sintomas da sarna.
  • Sarna crostosa (sarna norueguesa).
  • Tratamento da sarna.

Ácaro - Sarcoptes scabiei



Os ácaros são seres microscópicos de oito patas, da classe dos aracnídeos. O Sarcoptes scabiei tem um tamanho médio de 0,3 milímetros, que é basicamente o limite do que o olho humano nu consegue ver.



O Sarcoptes scabiei é um parasita que vive, alimenta-se e reproduz-se em nossa pele. O ciclo de vida deste ácaro dura cerca de 30 dias. Após a cópula, o ácaro macho morre enquanto a fêmea penetra através das camadas superficiais da pele, criando um microscópico túnel, onde ela fica entocada, depositando os seus ovos durante toda sua vida, que dura cerca de 30 a 60 dias. A fêmea do Sarcoptes scabiei libera 2 a 3 ovos por dia. Os ovos eclodem em três ou quatro dias, e as larvas recém nascidas fazem o caminho de volta em direção à superfície da pele, onde amadurecem e podem se espalhar para outras áreas do corpo.



Os ácaros Sarcoptes scabiei produzem enzimas que degradam as proteínas da pele, principalmente a queratina, que serve de alimento para os mesmos. Conforme eles se movem através da epiderme, vão deixando para trás as suas fezes, criando lesões lineares na pele. As lesões e a coceira da escabiose são resultados de uma reação alérgica da pele contra o próprio ácaro, seus ovos e fezes.

Transmissão da escabiose



Ter sarna não é necessariamente um sinal de má higiene. A escabiose é uma infecção transmitida entre pessoas através de contato próximo. Os casos mais habituais são entre familiares que vivem na mesma casa. A via sexual é outra maneira comum de se adquirir sarna. Exército, lares para idosos, creches e presídios são locais onde frequentemente há surtos de sarna.



O contato entre crianças e adolescentes na escola não costuma ser próximo o suficiente para causar a transmissão, o que de modo algum significa que não haja risco. Do mesmo modo, um simples aperto de mão ou um rápido abraço não costumam ser suficientes para haver transmissão.



O ácaro Sarcoptes scabiei consegue sobreviver no ambiente por 24 a 48 horas, o que torna possível a transmissão através de roupas, lençóis ou toalhas, apesar desta via não ser a mais comum.



Animais, como cães e gatos, também podem ter sarna, mas o ácaro que os infecta é diferente, tornando a transmissão para humanos pouco comum. Quando ela ocorre é geralmente em animais realmente infestados de ácaro. Todavia, como o homem não é o hospedeiro habitual da sarna canina ou felina, o ácaro não se reproduz e a infecção dura apenas alguns dias (o tempo de vida do ácaro).

Sintomas da escabiose



O sintoma clássico da escabiose é uma coceira difusa pelo corpo, que costuma ser mais intensa à noite.



O período médio de incubação da sarna é de cerca de 6 semanas. Porém, nos pacientes reinfectados, os sintomas podem surgir em apenas 24 horas. Uma pessoa contaminada é capaz de transmitir a sarna, mesmo que ainda esteja sem sintomas, no período de incubação.



As lesões típicas da escabiose são pequenas pápulas (pontinhos ou bolinhas com relevo) avermelhadas, de 1 a 3 mm de diâmetro. As lesões, às vezes, são tão pequenas que podem passar despercebidas ou camufladas pelos arranhões causados pela intensa coceira.



As lesões da sarna podem ser difusas. Os locais mais envolvidos são as mãos (principalmente entre os dedos), pulsos, cotovelos, axilas, mamilos (especialmente em mulheres), áreas ao redor do umbigo, genitália (especialmente em homens), joelhos, nádegas, coxas e pés. As costas são habitualmente poupadas e a cabeça, palmas e solas só costumam ser acometidas em crianças.



Os túneis produzido pelas fêmeas do Sarcoptes scabiei também podem ser visíveis, apesar de não serem tão comuns como as pápulas. Eles geralmente se apresentam como finos traçados na pele, discretamente elevados, que podem ter até 10mm de comprimento.



Fotos de sarna

Sarna crostosa (sarna norueguesa)



Na maioria dos pacientes com sarna, o número total de ácaros presentes não costuma ultrapassar uma centena. Após um aumento exponencial no início da doença, o sistema imunológico do paciente consegue frear a multiplicação do Sarcoptes scabiei, mantendo a sua população mais ou menos estável.



Em pacientes com alguma fraqueza do sistema imunológico, os ácaros podem conseguir se multiplicar indefinidamente, chegando a alcançar uma população de mais de um milhão em alguns casos. Esta super infestação de Sarcoptes scabiei é chamada de sarna crostosa ou sarna norueguesa, que é a forma mais grave da escabiose.



Os pacientes com maior risco são os idosos ou os portadores de problemas, como SIDA (AIDS), hanseníase, linfoma, síndrome de Down ou outras doenças que provoquem alterações do sistema imunológico.



A sarna crostosa provoca grandes crostas vermelhas na pele, que se espalham facilmente se não forem tratadas. O couro cabeludo, mãos e pés são frequentemente afetados, embora as manchas possam ocorrer em qualquer parte do corpo. As lesões da sarna crostosa geralmente não coçam e contêm um grande número de ácaros.

Tratamento da escabiose



As duas opções mais utilizadas para o tratamento da escabiose são a Permetrina 5% ou a Ivermectina em comprimidos.

  • A Permetrina 5% deve ser aplicada em todo corpo do pescoço para baixo (nas crianças pode ser aplicada no rosto, com cuidado para não atingir os olhos), sendo enxaguada no banho após 8 a 14 horas. Após 1 ou 2 semanas, o processo pode ser repetido.
  • A Ivermectina por via oral é usada em dose única, com repetição após 14 dias.
A taxa de sucesso dos dois tratamento é semelhantes, mas a Ivermectina é o tratamento mais adequado para surtos em lares de idosos, presídios ou domicílios com muitos moradores, pois tomar um comprimido é bem mais simples que aplicar um creme por todo o corpo.



A sarna crostosa é tratada com uma combinação dos dois medicamentos: Permetrina 5% aplicada diariamente por 7 dias mais Ivermectina, uma dose nos dias 1, 2, 8, 9 e 15



É importante lembrar a pessoa infectada com o ácaro da sarna costuma demorar até 6 semanas para apresentar sintomas. Por isso, o tratamento também é recomendado para os membros da família e contatos sexuais, mesmo que estes não estejam aprestando sintomas d escabiose.
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Os doentes que se lixem

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Os doentes que se lixem:

Acesso aos cuidados de saúde mais difícil em 2013.
Tomemos por exemplo o substancial arredondamento da taxa das consultas hospitalares (0,4 cêntimos) que vale para o Estado uma  receita suplementar  de 187.461 euros (atendendo a que cerca de 50% dos utentes estão isentos), além do valor de actualização legal da taxa (2,8%), (cálculo 10 meses de actividade ano 2012 : 0,4 * n.º de consultas 9.373.091). link.Trata-se de um aumento de 3,3% desta taxa.
O aumento médio das taxas moderadores em 2013 é efectivamente de 3,07% (e não 2,8%). link
No final de 2013 teremos contabilizado,  à semelhança do que aconteceu em 2012, largos milhares de consultas e atendimentos urgentes hospitalares a menos. Quando a necessidade de  acesso aos cuidados de saúde  em tempo de profunda crise mais se faz sentir.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

Manual "verde" da OF...

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Manual "verde" da OF...:

Foi editado pelo Conselho do Colégio da Especialidade de Farmácia Hospitalar e publicado pela Ordem dos Farmacêuticos (ler aqui).
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É possível ler no prefácio:
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A realçar: a maioria dos autores (conforme consta na bibliografia) em quem o manual se suporta e fundamenta são... Enfermeiros
São vários os estudos, pesquisas, trabalhos e publicações dos Enfermeiros que oferecem a sustentação a este manual para permitir ao Farmacêutico Hospitalar "escolher o material de penso com ação terapêutica mais adequado", "propor alternativas" e "opinar sobre a orientação do tratamento do utente".
Portanto, a lógica será: Farmacêuticos baseiam-se em Enfermeiros para "formar e informar" Enfermeiros. Há aqui qualquer coisa de estranho e redundante...

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sábado, 12 de janeiro de 2013

O Ministério da Saúde vai aos Saldos

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O Ministério da Saúde vai aos Saldos:


Pois é. Parece que também existe época de saldos nas políticas do Ministério da Saúde (MS).

E que bem, aproveitando a "onda" pós-natalícia, de alegria, descontos, promoções, distrações e outras que tais, o MS decide usufruir dos saldos.

Acabam de sair o Despacho n.º 16401/2012 e seu Anexo I - Competências dos Técnicos de Ambulância de Emergência, que estabelecem a atuação desses mesmos técnicos. Supostamente, irão ser formados pelo INEM para executar tarefas e procedimentos, sob ordens dos médicos do CODU. O MS arranjou a melhor pechincha do ANO! Eu explico.

Os saldos têm duas particularidades: a redução abrupta de preços e a substituição das habituais peças ou dos fins de coleção por outras peças, mais fracas, que geralmente ninguém compra nas épocas normais. Isso mesmo, consegue-se enganar o "povão", reduzindo preços (na sua generalidade) não das peças que estavam à venda, mas de itens de fraca qualidade e muitas vezes com defeito. 



E foi isso mesmo que o MS decidiu fazer em conjunto com a aprovação do INEM e da Ordem dos Médicos: adquirir serviços de saldo a preço de saldo. Por mais que a Ordem dos Enfermeiros tivesse apresentado argumentos científicos e um conjunto de estudos nacionais e internacionais que provam, entre outros, que a assistência por enfermeiros no sistema de emergência pré-hospitalar tem mais qualidade, segurança e salva mais vidas, e que nos outros países já se começa a deixar cair o modelo de técnicos de emergência pois já se constatou que o serviço prestado por enfermeiros é MELHOR, as outras entidades acima referidas decidiram que não, provavelmente porque não lhes apetece.

Então o que temos: 9 000 enfermeiros no desemprego e a emigrar para outros países a custo zero, que já tiveram 4 anos de formação mínima (com mais de 4000 horas de formação - quatro mil), parte da qual foi financiada por SI, O LEITOR DESTE POST. Muitos desses enfermeiros ousaram tirar mais ano e meio de Especialidade em Enfermagem Médico-Cirurgica, tendo orientado a sua formação para o campo de urgência e emergência.

Esses 9 000, que você já pagou, vão embora. Agora, vamos gastar mais uns milhões a formar indivíduos durante SEIS MESES, para que possam prestar assistência de urgência e emergência no pré-hospitalar. PARABÉNS. TAMBÉM VAI PAGAR ESSES MILHÕES A MAIS. E porquê? Porque os técnicos ficam mais baratos... ao Governo.

Assumindo que o leitor não está satisfeito, ainda tem a probabilidade REAL de ter um acidente, uma patologia, ou simplesmente sentir-se mal, no seu local de trabalho, na sua rua, na sua casa.  QUANDO O VIEREM ASSISTIR, O QUE PREFERE? UM PROFISSIONAL COM MAIS DE 4000 HORAS DE FORMAÇÃO E UM UPDATE EM EMERGÊNCIA, OU UM INDIVÍDUO QUE POUCO PERCEBE DE SAÚDE, A QUEM DERAM 6 MESES DE FORMAÇÃO? 

E vivemos assim. Acabaram de colocar a  sua VIDA, a sua SEGURANÇA, o seu BEM-ESTAR e dos seus amigos e familiares a SALDOE o mais irónico de tudo isto, é que estão a usar MAIS do seu dinheiro para lhe proporcionar MENOS assistência. A vida tem destas coisas...

Senhores Enfermeiros deste País? Como ficamos? Vamos deixar mal os Portugueses?? Agora quem é que os salva?

Quem tenta substituir os meus colegas no INEM, está-me a SUBSTITUIR A MIM. Quem diz que os meus colegas do INEM não servem para a função para que foram formalmente educados, estão a dizer o mesmo de MIM. Hoje é no INEM, amanhã é no Hospital e no Centro de Saúde. 

E AGORA???? VAMOS FICAR QUIETINHOS, SE O ATAQUE AOS "OUTROS" É AFINAL UM ATAQUE A MIM, QUE SOU ENFERMEIRO? AOS CIDADÃOS, QUE NEM SE DEVEM TER APERCEBIDO DA MUDANÇA?

FICA UMA SUGESTÃO, DAS "FÁCEIS":

SAIAM COM UMA CÂMARA PARA A RUA, E ENTREVISTEM UNS QUANTOS FAMOSOS, APRESENTANDO-LHES OS NÚMEROS E OS ESTUDOS, E FAZENDO AS QUESTÕES QUE COLOQUEI EM CIMA. 

O QUE PREFERE, QUANDO TIVEREM A SUA VIDA NAS MÃOS?

Coloquem no Youtube, rapidamente se torna viral. Tipo isto:


Cumprimentos e boas entradas a todos!

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Quem são os culpados?

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Quem são os culpados?:
O que o governo enterrou em quatro bancos corresponde ao que cortou em subsídios durante dez anos e a uma parte substancial do aumento da dívida soberana durante esta legislatura, mais de dez mil milhões de euros. Referimo-nos ao BPN, BANIF, BCP e BPI, bancos geridos por gente muito querida do actual regime, que ainda passa reveillons com ministros em hotéis de Luxo no Rio de Janeiro, que ao longo de mais de duas décadas foram apresentados como gestores modelos, exemplo das grandiosas reformas liberais de Cavaco Silva e que durante décadas ludibriaram o país escapando-se ao pagamento de impostos graças a governantes corruptos que lhes fizeram todos os favores.
 
São os pensionistas os responsáveis pela insustentabilidade da dívida soberana, são os funcionários públicos que ganharam demais e levaram a banca à falência, foram os subsídios que impediram os bancos de financiar a economia? É evidente que não, o país está a ser enganado e o povo a ser sujeito a sacrifícios que não constavam no memorando para que um governo ultra direitista use os recursos nacionais para proteger e ajudar os seus a voltar a enriquecer.
 
Pouco importa se há gente a ficar no desemprego, quem fique sem casa onde viver ou quem não tome os medicamentos de que necessita, os accionistas do BCP, do BPI ou do BANIF são cidadãos de primeira que não podem ser sujeitos a qualquer sacrifício e muito menos assumir as consequências da sua incompetência ou oportunismo à frente dos bancos. Com o falso argumento de que os bancos não podem falir estão usando os recursos nacionais em seu favor, ao mesmo tempo que investem nas suas agências de comunicação para comprarem a opinião pública. Os sacrificados não só estão a pagar os seus lucros, como ainda pagam a propaganda usada para serem ludibriados.
 
Foram os professores que decidiram atirar a economia portuguesa contra uma parede e adoptar uma política fiscal incompetente da qual resultou uma perda de mais de 4.000 milhões de euros em receitas fiscais, precisamente o montante que agora querem poupar destruindo de forma arbitrária três décadas de progresso social? É despedindo 50.000 professores que aumenta a qualificação dos portugueses, um dos grandes obstáculos à nossa competitividade? É despedindo 120.000 funcionários que os nossos empresários ficam competitivos, competentes e inteligentes de um dia para o outro?
 
Não era o ajustamento português que estava a correr às mil maravilhas e era diariamente elogiado pelos três bananas da troika que vieram para Portugal comer à nossa custa em hotéis de cinco estrelas, instalando funcionarecos aposentados que andam armados em experts do FMI no Ritz? Não era Portugal que estava muito melhor do que a Grécia? Os rapazolas da troika não previram, tal como o Gaspar, que no segundo semestre de 2012 já haveria criação de emprego e crescimento económico?
 
O povo português é o culpado da incompetência do governo, dos três bananas da troika e dos falsos experts do FMI?

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Coisas do verbo entroikar

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Coisas do verbo entroikar:
Entroikacete: a política deste governo tem três peças fundamentais, a cenoura, o coelho e o cacete, não admira que o entroikacete deste governo, o ministro da Administração Interna não só tenha sido o único governante a dispor de maior orçamento e a poder promover os seus funcionários, como ainda é considerado o melhor ministro depois de os seus rapazes terem ido à RTP tirar um curso acelerado de jornalistas.
   
Troikadalho: local para onde se mandam os que tudo fizeram para entregar o país à troika e agora andam armados em líderes da luta contra o FMI. Um exemplo: "Ó Mário Nogueira, vai para o troikadalho!". Designa também um novo tempero para a carne de porco, carne em troikadalhos.

Troikos: aquilo que o Vítor Gaspar acha que deve pagar-se aos funcionários públicos, esperando que depois o mercado faço mesmo e declare escravos todos os trabalhadores portugueses.

Destroikável: tal como Paulo Portas, aquele que nunca é responsável pelas medidas da troika.
  
Entroikisto: Passos Coelho é cada vez mais um quisto nas ambições de um número três que anda armado em número dois mas está convencido de que é o número um. Passos Coelho há muito que deixou de ser primeiro-ministro, o líder do PSD não é mais do que  um entroikisto que impede a progressão de alguém que acha que deve governar mas ainda não sabe muito bem como ultrapassar esse impecilho chamado democracia.

Entroikadinho: José Seguro é um político que ainda está dividido entre continuar a fazer oposição a José Sócrates, o que implica manter aquele ar de penitência com que costuma aparecer, ou fazer oposição a Passos Coelho o que faz sempre que o primeiro-ministro o engana. Dividido entre detestar o seu antigo camarada ou fazer oposição ao seu velho amigo o José Seguro não consegue deixar de ser o entroikadinho.

Entroikador: Vítor Gaspar chamou a si o papel de entroikador nacional, ele acha que o país, os portugueses, os professores, os trabalhadores, os jovens, os velho, todos devem ser entroikados em nome de Deus porque os que não são de Sodoma vieram de Gomorra. Para Gaspar entroikar portugueses é a mesma coisa que ser cruzado e matar mouros e da mesma forma que os cruzados chegaram a praticar o canibalismo o nosso Gaspar sempre que promete novas medidas de austeridade para entroikar os portugueses até parece estar a dizer “até os como!”.

Entroikada: a ministra da Agricultura vai deixar o governo da melhor forma, agendou a sua remodelação para daqui a nove meses e em vez de escrever a carta de demissão deverá ter enviado os resultados do teste de gravidez a Passos Coelho. Ao que aprece o primeiro-ministro achou que aquilo sim que era uma grande troika e até terá exclamado “não é meu!”.

Entroikanada: o ministro Álvaro bem que tenta entroikar qualquer coisa mas o seu amigo Gaspar quer ser o único entroikador da capoeira e não o deixa entroikar nada, nem mesmo um pastelinho de Belém, aliás, esses muito menos pois se há sítio onde o Gaspar tem um especial prazer em entroikar é precisamente no palácio anexo ao banco onde nasceu o clube Os Belenenses, até já há quem diga que o Gaspar entroikou de tal forma o Cavaco que este até ficou com o olho à Belenenses!

Entroikável: qualidade que os Orçamentos de Estado devem ter para que sejam aplicados no caso de alguém com poderes para tal se lembrar de pedir a fiscalização do Tribunal Constitucional. Agora tempos um país entroikado de um todo a aguardar para saber se o Tribunal Constitucional se pronuncia pela entroikabilidade do OE permitindo ao Gaspar que entroike os portugueses a seu belo prazer, ou se o OE não é entroikável e nesse caso o Gaspar entroikou o Passos Coelho.

Desentroika-te: Vulgo desenrasca-te.

Desentroikem-se: foi mais isso que Cavaco Silva disse aos portugueses na sua mensagem de ano novo, ele avisou, fez o que podia, não entroikou o governo pedindo a fiscalização preventiva do OE, a economia vai ser entroikada de um todo com este OE, mas ele foi comer umas filhoses para a Quinta da Coelha enquanto o pessoal das janeiras não lhe levar o bolo-rei e o país que se desentroike.

Nem entroika nem sai de cima: diz-se de um político que ora diz que a economia vai cair numa espiral, ora assegura que está cheio de esperança de que daqui a uns meses teremos crescimento e criação de emprego, ou que acha que um OE é inconstitucional mas primeiro promulga e depois pergunta, enfim, primeiro sai de cima e depois é que troika!
  
Entroikanso: É o estado em que um país fica metido quando é governado por imbecis que perguntam à troika o que devem fazer.
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O FÍGADO | Principais funções

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O FÍGADO | Principais funções: O fígado é um órgão vital, sem o qual não é possível sobreviver. Além de ser o maior órgão sólido e a maior glândula do corpo, o fígado também é responsável por centenas de funções no nosso organismo.



Neste artigo iremos abordar as principais características do fígado, dando ênfase às principais funções deste órgão. Se você está à procura de informações sobre sintomas de problemas no fígado, leia: 12 SINTOMAS DO FÍGADO.



O que é o fígado?



Localização do Fígado

O fígado é um grande órgão maciço, com aproximadamente 20 cm de diâmetro, 17 cm de altura e peso médio de 1.4 quilo, localizado no quadrante superior direito da cavidade abdominal, logo abaixo do diafragma.



O suprimento sanguíneo do fígado é feito por duas vias, pela artéria hepática (20-40%) e pela veia porta (60-80%). O fígado é um órgão tão vascularizado que chega a receber 1.5 litro de sangue por minuto.



Uma das mais interessantes características do fígado é a sua incrível capacidade de se regenerar, sendo ele capaz de retornar ao tamanho normal mesmo após ter mais de 50% do seu volume retirado cirurgicamente.



O fígado é uma complexa fábrica orgânica, com centenas de funções, entre as mais importantes, remover toxinas do sangue e processar alimentos vindos dos intestinos.

Funções do fígado



As células do fígado, chamadas hepatócitos, contêm milhares de enzimas que são responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue, sejam elas benéficas ou prejudiciais ao nosso organismo. O fígado também é capaz de armazenar nutrientes e outras substâncias úteis, além de produzir proteínas e vitaminas essenciais para nossa saúde.



A ciência já conhece mais de 500 funções do fígado, vamos falar resumidamente das principias:



1- Metabolização dos nutrientes digeridos



O processo de digestão consiste na quebra dos nutrientes em moléculas cada vez menores, até o ponto delas poderem ser absorvidas pela mucosa dos intestinos e depois lançadas na circulação sanguínea.



Figado e veia portaToda a circulação sanguínea do trato digestivo drena em direcção à veia porta, de forma que nenhum nutriente ou substância ingerida consiga chegar ao resto do organismo sem antes passar pelo fígado.



Este processo é de suma importância, pois é o fígado quem controla quanto, qual, em que forma cada substância originada da alimentação passará para o resto do corpo. Exemplos:



a. Gorduras



O processo de digestão quebras as gorduras em moléculas pequenas, chamadas ácidos graxos e glicerol. São estas as moléculas absorvidas pelos intestinos e lançadas em direcção à veia porta. No fígado essa gordura é transformada em diversas substâncias, como fosfolipídios ou colesterol, que são essenciais na produção de nossas células.



O fígado também usa as gorduras para sintetizar lipoproteínas, como o HDL, VLDL, e LDL, que são as moléculas responsáveis pelo transporte de colesterol pelo sangue (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).



O fígado também é quem determina se a gordura ingerida será usada para gerar energia ou será armazenada. Se o indivíduo consome gorduras em excesso, o fígado transforma o glicerol e o ácido graxo em triglicerídeos, armazenando-os no tecido subcutâneo, criando camadas de tecido adiposo (os famosos pneuzinhos). De forma oposta, se o corpo precisar de fontes extras de energia, o tecido adiposo quebra os triglicerídeos novamente em glicerol e o ácido graxo, enviando-os de volta para o fígado para que eles possam ficar disponíveis como fonte de energia para as células (leia: O QUE SÃO OS TRIGLICERÍDEOS?).



b. Proteínas



O processo de digestão quebra as proteínas ingeridas em moléculas chamadas aminoácidos. O fígado é o órgão que decide o destino destes aminoácidos, podendo utilizá-los como:



- fonte para produção de proteínas essenciais para o organismo, como albumina, globulinas, lipoproteínas, factores da coagulação, etc;

- fonte para formação de massa muscular;

- fonte para produção de gordura, pois, caso necessário, o fígado consegue transformar aminoácidos em triglicerídeos, num processo chamado lipogénese;

- fonte para produção de glicose, em um processo chamado gliconeogénese.



Pacientes com doenças graves do fígado apresentam níveis baixos de proteínas no sangue, principalmente albumina. A perda de massa muscular também é comum devido à perda de capacidade de lidar com os aminoácidos recebidos da alimentação. A deficiência de factores da coagulação faz com que estes pacientes apresentem maior risco de hemorragias.



A digestão das proteínas produz aminoácidos, mas também gera a amónia, uma substância tóxica para o organismo. O fígado é o responsável pela metabolização da amónia, transformando-a em ureia, uma substância infinitamente menos tóxica. Pacientes com cirrose e falência hepática perdem a capacidade de metabolizar a amónia, fazendo com que a mesma se acumule no corpo, levando à chamada encefalopatia hepática, um processo de intoxicação dos neurônios.



c. Glicose



Os carboidratos ingeridos são transformados em moléculas de glicose, que é a principal fonte de energia das células. Quando chega uma grande quantidade de glicose ao fígado, ele libera uma parte em direcção à circulação sanguínea e armazena outra sob a forma de glicogénio, para que esta possa ser usada como fonte de energia nos períodos de jejum ou actividade física. Se o fígado já está cheio de glicogénio, mas o indivíduo continua ingerindo carbohidratos em excesso, o mesmo passa a ser transformado em triglicerídeos (lipogenese), sendo enviado para os tecidos subcutâneos. É por isso que comer muito carbohidrato engorda.



Pacientes com grave doença hepática podem apresentar hipoglicemias, pois o fígado já não consegue armazenar glicose na forma de glicogénio, fazendo com que o paciente não tenha reservas de glicose facilmente disponíveis nos períodos de jejum.



2- Metabolização de substâncias tóxicas



Assim como os nutrientes, qualquer outra substância ingerida também passará pelo fígado antes de chegar ao resto do organismo, incluindo remédios, drogas, toxinas ambientais e álcool.



Os hepatócitos são ricos em citocromo P450, o nome dado a uma família de enzimas que têm a capacidade de metabolizar, inactivar e facilitar a eliminação pelos rins de diversas substâncias.



O exemplo mais famoso do processo de desintoxicação realizado pelo fígado é a metabolização de bebidas alcoólicas. O álcool é uma substância extremamente tóxica,  mas que até certo ponto pode ser consumida, pois o fígado tem a capacidade de transformá-lo em ácido acético, uma metabólito muito menos tóxico e facilmente eliminado pelos rins através da urina. Se você quiser informações mais detalhadas sobre esse processo de metabolização do álcool pelo fígado, leia: O QUE É A RESSACA?



O fígado também é capaz de desactivar substâncias produzidas pelo próprio corpo, como hormonas, impedindo que haja excesso das mesmas circulando pelo sangue.



Pacientes com doenças hepática devem evitar álcool e determinados medicamentos, pois o fígado já não será mais capaz de metabolizá-los adequadamente.



3- Produção de bílis



Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) são células que têm uma vida média de 120 dias. Quando ficam velhas, elas são levadas para o baço, onde são destruídas. Um dos produtos liberados neste processo é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado. A bilirrubina produzida no baço não é solúvel em água e, portanto, não pode ser eliminada pelos rins, cabendo ao fígado este papel.



A bilirrubina é metabolizada no fígado e acrescentada a bile, uma substância que auxilia na digestão de gorduras. A bílis produzida pelo fígado é parte armazenada na vesícula biliar e parte liberada no intestino, para facilitar o processo de digestão. A presença da bilirrubina na bílis é a responsável pela cor castanha das fezes. Pacientes com doenças no fígado ou nas vias biliares que impeçam a drenagem de bílis para os intestinos apresentam problemas de digestão de gorduras e fezes esbranquiçadas.



Se o fígado perder a capacidade de metabolizar e excretar a bilirrubina, a mesma se acumula no sangue e acaba se depositando na pele, tornando-a amarelada, um sinal que chamamos de icterícia (leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto).



4- Produção de substâncias essenciais ao organismo



Além da produção de proteínas importantes, como albumina e factores da coagulação, já explicados acima, o fígado também é capaz de produzir, metabolizar e armazenar uma grande diversidade de outras substâncias, como vitaminas e ferro.



5- Destruição de bactérias e outros germes.



O fígado possui células de defesas, chamadas células de Kupffer, capazes de eliminar germes e fragmentos de células mortas que passem pelo fígado.



Se você quiser ler sobre as principais doenças do fígado, veja os nossos artigos sobre doenças hepáticas:



- O QUE É HEPATITE?

- HEPATITE A

- HEPATITE B

- HEPATITE C

- ESTEATOSE HEPÁTICA | Gordura no fígado

- CIRROSE HEPÁTICA | Sintomas e causas

- SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON

- SINTOMAS DA HEPATITE

- O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?

- ASCITE | Causas e tratamento
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Maldita lei - Opinião - DN

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domingo, 6 de janeiro de 2013

COMO CALCULAR O PERÍODO FÉRTIL

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COMO CALCULAR O PERÍODO FÉRTIL: Saber calcular o período fértil é importante para todas as mulheres em idade fértil, estejam elas querendo ou não engravidar. Para mulheres que querem engravidar, saber estimar o período fértil serve para otimizar as datas das relações sexuais, aumentando as chances de fecundação. Para as mulheres que não querem engravidar, mas que por descuido ou acidente tiveram relações sexuais desprotegidas, estimar o período fértil ajuda a saber se ato sexual foi feito em uma período de elevado risco de gravidez.



Neste texto vamos explicar como fazer para calcular o período fértil, ou seja, como saber quais os dias do mês que a mulher tem mais riscos de engravidar.



Se você não quer apenas saber calcular o dia fértil e procura explicações mais detalhadas sobre ciclo menstrual e o dia da ovulação, leia também os seguintes artigos:

O que é o período fértil?



A definição mais simples para período fértil é o intervalo de dias em que a mulher pode engravidar, caso tenha relações sexuais desprotegidas.



Duas informações são essenciais para entender o período fértil:



1- Após a ovulação, o óvulo só permanece viável para ser fecundado por aproximadamente 24 horas.

2- Os espermatozoides sobrevivem dentro do aparelho reprodutor feminino por até 5 dias, sendo as primeiras 48 horas o seu período de maior atividade.



Isso significa que o período fértil costuma ser de até 5 dias. Mesmo que a mulher só ovule 5 dias depois do ato sexual, é possível ainda haver espermatozoides viáveis na sua trompa, à espera do óvulo.



Vamos dar exemplos hipotéticos para ficar mais fácil o entendimento.



Calendário do dia fértil
Imagine uma mulher que irá ovular no dia 7 de Outubro. Se os espermatozoides estão mais ativos nas primeiras 48 horas, e se o óvulo só sobrevive por 24 horas, isso significa que o período com maior chance dela engravidar ocorre entre os dias 5 e 8 de Outubro.



Estudos mostram que a chance de gravidez após relação sexual desprotegida neste caso hipotético seria de:



- 5% nos dias 3 e 4 de Outubro (4 a 5 dias antes da ovulação).

- 30% nos dias 5 e 6 de Outubro (1 ou 2 dias antes da ovulação).

- 10% nos dias 7 e 8 de Outubro (até 24 horas depois da ovulação).

- 0% antes do dia 2 de Outubro ou depois do dia 9 de Outubro (mais que 6 dias antes da ovulação ou mais que 2 dias depois da ovulação).



Portanto, podemos concluir que o maior risco de gravidez se dá quando as relações sexuais ocorrem 48 horas antes da ovulação.



Como calcular o dia da ovulação?



Bom, sabendo agora que o período fértil costuma ser de 5 dias antes até 24 horas depois da ovulação, o próximo passo é saber estimar em que dia foi ou em que dia será a próxima ovulação.

1- Como saber quando foi a última ovulação?



É muito mais fácil saber quando a mulher ovulou do que tentar adivinhar quando será a próxima ovulação. Geralmente a ovulação ocorre 14 dias antes do próximo ciclo menstrual. Portanto, se uma mulher menstruou no dia 20 de Outubro (como no nosso calendário fictício acima), isso significa que a sua ovulação ocorreu por volta do dia 7 de Outubro.



Esta informação, porém, ajuda pouco na maioria dos casos, pois se a mulher já menstruou isso significa que ela não está grávida.  As pessoas geralmente querem saber a data da ovulação antes da nova menstruação descer.



Apenas para os casais que estão tentando engravidar é que essa informação é relevante. Se o casal teve frequentes relações sexuais ao longo do mês e a mulher não engravidou, é importante olhar para trás e ver se eles realmente tiveram relações nos dias corretos. Se ao final de cada mês o casal constatar que sempre estão tendo relações nos dias mais férteis, e mesmo assim a mulher não engravida, uma consulta com um médico especializado em fertilidade pode ser de grande ajuda.

2- Como saber quando será a próxima ovulação?



Estimar o dia da próxima ovulação pode ser uma tarefa difícil, principalmente para aquelas mulheres com ciclos muito irregulares. Quanto mais regular for o ciclo menstrual, mais preciso conseguimos ser ao calcular o dia fértil.



Vamos dar exemplos de como calcular o período fértil para diferentes tamanhos de ciclos menstruais.



Atenção, estamos falando de estimativas. Não use as informações deste texto para fazer uma "tabelinha" como método anticoncepcional. Cada mulher tem ciclos menstruais com características próprias. Sem fazer exames, é impossível afirmar com certeza o dia da próxima ovulação.



Exemplo 1: ciclo menstrual regular de 28 a 30 dias



Calendário do período fértil em ciclo de 28 dias.
Quando as mulheres têm ciclos bem regulares e de aproximadamente 1 mês, é bem fácil calcular o dia fértil.



Nestes casos, a ovulação habitualmente ocorre bem no meio do ciclo, 14 a 15 dias depois do primeiro dia de menstruação, o que também significa 14 a 15 dias antes da próxima menstruação.



Portanto, se o primeiro dia da menstruação caiu no dia 2 de Outubro, a ovulação deverá vir ao redor do dia 16 de Outubro e o período fértil englobará os dias 12 a 17 de Outubro, sendo os dias 14,15 e 16 e 17 de Outubro os com maior probabilidade de gravidez.



Exemplo 2: Ciclo menstrual regular maior que 30 dias ou menor que 28 dias.



Calendário de perído fértil.
As mulheres com ciclos regulares, mesmo que não entre 28 e 30 dias, também podem estimar com alguma precisão o dia da próxima ovulação. Como já explicamos, a ovulação costuma ocorrer 14 dias antes da próxima menstruação. Portanto, se o ciclo é bem regular, é possível prever o primeiro dia da próxima menstruação.



Imagine uma mulher com ciclo de 26 dias, que menstruou no dia 2 de outubro. Sendo o seu ciclo regular, a próxima menstruação deverá vir no dia 28 de Outubro. Como a ovulação costuma ocorrer 14 dias antes da próxima menstruação, a ovulação deverá ocorrer aproximadamente no dia 14 de Outubro.



Portanto, neste caso, o período fértil englobará os dias 10 a 15 de Outubro, sendo os dias 12,13 e 14 e 15 de Outubro os com maior probabilidade de gravidez.



Exemplo 3: Ciclo menstrual irregular entre 26 e 32 dias



A maioria das mulheres não tem seu ciclo menstrual regular como um relógio. Em um mês o ciclo é de 29 dias, no outro 27, num terceiro 31... Quando a menstruação não segue um padrão bem definido ao longo dos meses, calcular o período fértil e quando será a próxima ovulação não são uma tarefa fácil.



Calendário de período fértil em ciclos irregulares
Em 95% das mulheres, a ovulação ocorre entre 3 dias antes e 3 dias depois da metade do ciclo. Portanto, como não é possível prever antecipadamente o tamanho do ciclo, nessas mulheres o cálculo é feito levando em conta a possibilidade de ciclos de 26 a 32 dias. Isso significa que se ocorrer um ciclo curto de 26 dias (meio do ciclo com 13 dias), a ovulação pode se dar entre os dias 10 e 16 de Outubro. Se for um ciclo longo, com 32 dias (meio do ciclo com 16 dias), a ovulação pode ocorrer entre os dias 13 e 19 do ciclo.



Portanto, em mulheres com ciclos irregulares entre 26 e 32 dias, a ovulação pode ocorrer a qualquer momento entre o 10º e o 19º dias do ciclo (o primeiro dia do ciclo é o primeiro dia de menstruação). Isso significa que o período fértil pode começar tão cedo quanto o 7º ou 8º dia do ciclo ou terminar tão tarde como o 20º dia.



No nosso exemplo, se a mulher menstruou no dia 2 de Outubro, os  5 dias férteis dela podem cair desde o dia 7 de Outubro (no caso de ciclo de 26 dias) até o dia 20 de Outubro (no caso do ciclo ser de 32 dias).



Existe uma outra maneira de calcular o período fértil nos casos de ciclos irregulares, mas é preciso que a mulher tenha anotado o tamanho dos seus ciclos nos últimos seis meses.



Como é feito este cálculo? Ao longo dos últimos 6 meses, pegamos o número de dias do menor ciclo e subtraímos 18, depois, pegamos o número de dias do maior ciclo e subtraímos 11. Por exemplo, se o menor ciclo foi 25 dias e o maior foi de 34 dias, então:



25-18 = 7

34-11 = 23



Isto indica que no próximo mês, os seus 5 dias de período fértil poderão cair a qualquer momento entre os dias 7 e 23 do ciclo.



Já deu para notar que nestes casos não há muito como antecipar os dias férteis com segurança. O intervalo é grande porque é impossível prever o dia da ovulação com muita exatidão. A cada mês a mulher ovula em um dia diferente do ciclo. E quanto maior for a diferença de dias entre o maior e o menor ciclo, mais impreciso é o cálculo.



Exemplo 3: Ciclo menstrual irregular muito curtos ou muito longos



A maioria das mulheres tem ciclos entre 26 e 32 dias, mas consideramos normais os ciclos entre 25 e 35 dias. Ciclos menores que 25 ou maiores que 35 dias geralmente indicam que a mulher não está ovulando.



Nos ciclos muito curtos, mesmo que haja ovulação, ela se dará tão próxima da menstruação, que o útero ainda não estará preparado para receber o óvulo fecundado, não sendo possível a progressão da gravidez.



Nestes casos, portanto, não adianta querer calcular período fértil, pois ele provavelmente não existe. O ideal é procurar ajuda do ginecologista.
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

SINTOMAS DE GASTRITE

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SINTOMAS DE GASTRITE: Gastrite é o nome dado à inflamação da mucosa gástrica, camada de tecido que reveste a parede do estômago, protegendo-o contra a excessiva acidez. A gastrite pode ser aguda, quando a inflamação surge subitamente, ou crônica, quando a inflamação vai se estabelecendo lentamente, podendo a mucosa permanecer inflamada por meses ou até anos.



Neste artigo vamos abordar apenas os sintomas da gastrite. Se você quiser saber mais informações sobre a gastrite, como causas, tipos, diagnóstico e tratamento, leia: GASTRITE | ÚLCERA GÁSTRICA.

O que é gastrite?



A gastrite é uma inflamação da parede do estômago, que pode ser causada por inúmeros problemas. Entre as causas mais comuns, podemos citar:

A inflamação pode acometer toda a mucosa do estômago de forma difusa, sendo chamada de pangastrite, ou apenas algumas regiões, como o antro, chamada gastrite antral.

Gastrite


A gastrite também pode ser classificada como gastrite erosiva ou gastrite não-erosiva. A gastrite erosiva é aquela que provoca pouca inflamação, mas causa erosão da parede do estômago, levando à perda da mucosa. A gastrite erosiva também pode levar à formação de úlceras e sangramentos. Na gastrite não-erosiva, ainda existe mucosa presente, mas a mesma encontra-se muito inflamada.



Quando durante a endoscopia digestiva a mucosa do estômago além de inflamada também aparenta estar inchada (com edemas), damos o nome de gastrite enantematosa.

Gastrite nervosa



A gastrite é um diagnóstico que só pode ser fechado através da biópsia do estômago realizada durante um exame de endoscopia digestiva alta (leia: ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA). O paciente pode ter os sintomas que tiver, se não houver inflamação da mucosa identificável na endoscopia digestiva, não podemos dizer que ele tem gastrite.



Esta informação é importante porque frequentemente ouvimos falar de uma tal gastrite nervosa. Antes de mais nada, vamos deixar bem claro: não existe gastrite nervosa. O que o paciente pode ter em situações de estresse ou nervosismo é um quadro que chamamos de dispepsia funcional (leia: DOR NO ESTÔMAGO | DISPEPSIA).



Dispepsia é um termo que compreende uma série de sintomas relacionados ao estômago, sejam eles ligados ou não à gastrite. Entre os sintomas que estão incluídos no termo dispepsia, podemos citar:

  • Queimação ou dor na região do estômago.
  • Sensação de plenitude após refeições.
  • Sensação de estômago distendido.
  • Eructação excessiva (excesso de arrotos).
  • Azia.
  • Saciação precoce.
  • Náuseas e vômitos.
  • Sensação de má digestão.
Algumas pessoas quando ficam ansiosas, nervosas ou estressadas podem ter vários destes sintomas de dispepsia, às vezes de forma crônica. Todavia, se não houver inflamação da mucosa do estômago, não podemos dizer que elas têm gastrite.



É um erro comum pessoas que tem dispepsia acharem que seu estresse as fez desenvolver uma gastrite. Estresses do dia-a-dia, ansiedade ou nervosismo NÃO causam gastrite. Eles podem até causar sintomas de gastrite, podem também exacerbar os sintomas de uma gastrite já existente, mas nervosismo não provoca gastrite, pois ele não faz a mucosa do estômago ficar inflamada.



Portanto, se você anda estressado(a) e tem frequentemente sintomas de gastrite, mas a endoscopia digestiva nada revela, o seu diagnóstico correto é dispepsia funcional. Por outro lado, se a endoscopia digestiva realmente revelar uma gastrite, é preciso procurar a causa para ela, pois somente o nervosismo não justifica o quadro.

Sintomas da gastrite



Um erro frequente é chamar de gastrite qualquer sintoma de dispepsia. Basta haver uma dor ou queimação no estômago para as pessoas dizerem que estão com gastrite. Gastrite não é sinônimo de dor no estômago.



Na verdade, ao contrário do que se imagina, a maioria das pessoas com gastrite não apresenta sintoma algum. Muitos pacientes com gastrite referem um pequeno incômodo estomacal após algumas refeições, mas nada que cause preocupação ou faça-os procurar um médico.



Nos pacientes que realmente têm sintomas de gastrite, o mais comum é uma queimação na boca do estômago, que para algumas pessoas melhora com a comida e para outros piora. Todos os sintomas de dispepsia descritos no tópico anterior podem estar presentes no paciente com gastrite. Além da queimação, azia e náuseas também são muito comuns.



Os sintomas da gastrite podem piorar em situações de estresse ou após o consumo de álcool, refrigerantes, café ou alimentos picantes. Fumar também costuma piorar a inflamação da mucosa do estômago, podendo agravar os sintomas.



Podemos concluir, portanto, que o diagnóstico de gastrite não pode ser dado apenas com base nos sintomas. Há pacientes com muitos sintomas que não têm gastrite, e há outros com pouco ou nenhum sintoma que podem ter o estomago todo inflamado. A intensidade dos sintomas também não é um bom preditor de gravidade da gastrite. Ter muita ou pouca dor no estômago não significa que a gastrite é mais ou menos grave. Há pacientes com gastrite erosiva e úlceras que referem pouca dor e há pessoas com sintomas fortíssimos, que apresentam pouca ou nenhuma inflamação do estômago quando fazem a endoscopia digestiva.



Nas gastrites erosivas graves, quando há sangramento do estômago, o paciente pode apresentar fezes bem escurecidas, pastosas e com odor muito forte. Estas fezes, chamadas de melena, são compostas por sangue digerido que transitou ao longo do trato gastrointestinal. Nos pacientes mais idosos, a anemia e sangramento digestivo, às vezes, são os únicos sintomas de uma gastrite severa. Se o sangramento gástrico for muito volumoso, o paciente pode apresentar vômitos sanguinolentos.



Os caos mais graves, porém, são a minoria. Na maioria dos pacientes, a gastrite é uma quadro leve, que pode ser facilmente tratada com medicamentos e mudanças de hábito de vida.
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